APONTAMENTOS

Por Doutrina Espiritualista entende-se toda a doutrina que em seus pressupostos adota a imortalidade da alma. Assim, poder-se-ia arrolar a Teosofia, o Esoterismo, a Escola Rosacruciana, a Umbanda, o Catolicismo etc.

No que tange à filosofia, pode-se dizer que todo o espírita é espiritualista, mas nem todo espiritualista é espírita, porque tanto um quanto o outro acredita na existência de Espíritos, mas não quer dizer que os dois acreditam em suas manifestações.


Breve Cronologia da "Codificação da Doutrina Espírita"
Fins de 1854, Kardec ouve falar do fenômeno das "mesas girantes".
Início de 1855, Kardec ouve pela primeira vez alguém dizer que "espíritos" dão origem a este fenômeno.
Maio de 1855, primeiro contato de Kardec com o fenômeno das "mesas girantes".
Agosto de 1855, Kardec inicia seu estudo sistemático das comunicações espíritas, na casa do Sr. Baudin, através principalmente da médium Srta. Caroline Baudin (com 16 anos de idade), e bem menos por sua irmã, Julie Baudin (14 anos de idade). Caroline Baudin teria primeiro se utilizado da psicografia indireta, através da "cesta pião" (corbeille-toupie), e posteriormente através da psicografia direta. Kardec teria tido também como insumos para estes estudos cinqüenta cadernos contendo comunicações mediúnicas psicografadas, recolhidos por alguns homens eruditos de suas relações e repassados para ele.
Abril de 1857, após dezoito (18) meses de trabalhos, é publicada a primeira edição do Livro dos Espíritos. Fruto principalmente da mediunidade de Caroline Baudin, com extensa revisão realizada principalmente pela médium Srta. Japhet (que era "sonâmbula", e utilizava-se também da psicografia indireta através da "cesta de bico" - corbeille à bec), e com consultas também a mais de dez outros médiuns diversos.
Janeiro de 1858, Kardec lança a Revista Espírita (Revue Spirite).
Março de 1860, Kardec lança a segunda edição do Livro dos Espíritos, com algumas modificações curiosas com relação à primeira edição.

Os conhecimentos, veiculados nas 1019 questões, do Livro dos Espíritos, são alimento para toda a eternidade. Estes ensinamentos, trazidos pelos benfeitores do espaço, quando bem refletidos, marcarão uma nova ordem no estado da humanidade, pois provocarão profundas modificações nos alicerces corroídos pela fé dogmática.

Kardec
Hippolyte-Léon Denizard Rivail — Allan Kardec , nasceu no dia 03 de outubro de 1804, às 19 horas, na Cidade de Lyon, na França. Seu pai, Jean-Baptiste-Antoine Rivail, era magistrado, juiz de direito; sua mãe, Jeanne Duhamel, era professora; sua esposa, Amélie Grabielle Boudet, também, era professora. Como homem podemos dizer que foi professor, escritor, filósofo e cientista. Faleceu no dia 31 de março de 1869, com 64 anos de idade.

SUAS OBRAS

O Livro dos Espíritos (1857);
O Livro dos Médiuns - ou Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores (1861);
O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864);
O Céu e o Inferno - ou Justiça Divina Segundo o Espiritismo (1865);
A Gênese - os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo (1868).

O que é o Espiritismo (1859);
O Espiritismo em sua Expressão Mais Simples (1862);
Viagem Espírita (1862);
Obras Póstumas (1.ª edição — 1890);
Revista Espírita, periódico mensal (1.ª edição — 1.º de janeiro de 1858)

Breve Cronologia da "Codificação da Doutrina Umbandista":
1888  - Abolição da escravatura
1889 - Proclamação da República
1891 - 1ª Constituição da República separa Igreja e Estado
1908 - Zélio Fernandino de Moraes recebe o Caboclo das Sete Encruzilhadas em São Gonçalo (RJ)
1920 - Em meados da década, é fundado o primeiro terreiro de Umbanda, o Centro Espírita Nossa Senhora da Piedade, no Rio de Janeiro
1930 - Ascensão de Getúlio Vargas e intensificação da repressão policial
1934 - Lei determina que templos de religiões como a umbanda sejam registradas no Departamento de Tóxicos e Mistificações da Polícia do Rio. Em Recife, Gilberto Freyre organiza o Congresso de Religiões Afro-Brasileiras
1939 - Fundação, no Rio, da primeira federação umbandista, a União Espírita da Umbanda do Brasil
1941 - 1º Congresso do Espiritismo de Umbanda, no Rio
1975 - Morte de Zélio de Moraes 
O pioneiro Centro Espírita Nossa Senhora da Piedade, criado por Zélio de Moraes é hoje dirigido por sua neta, Lygia Marinho da Cunha, 70, em Cachoeiras de Macacu (RJ).


As centenas de federações criadas desde a década de 1930 também tentaram unificar, organizara e normatizar a Umbanda, sem êxito. Cada terreiro, tenda ou centro é uma umbanda. É uma religião aberta, definem seus seguidores. Quem manda é o chefe do terreiro. 
Saraceni, Rivas Neto e Linares são indicadores da vitalidade da umbanda em São Paulo. Todos tentam dotar a religião de uma base doutrinária que lhe dê status e reconhecimento, mas a tarefa é difícil.


Um grupo egresso do kardecismo na constituição da umbanda: 
A anunciação da umbanda pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas teria ocorrido em dois tempos: no dia 15 de novembro de 1908 houve a primeira manifestação do caboclo mencionado numa mesa espírita à qual o jovem Zélio de Moraes (na época com 17 anos) havia sido levado devido a um problema de saúde que os médicos não conseguiam curar (alguns falam em paralisia, outros numa série de crises semelhantes à epilepsia). Não há consenso sobre se Zélio já chegou curado à reunião espírita ou se sua cura se processou durante os acontecimentos daquela noite. Nessa reunião começaram a se manifestar diversos espíritos de negros escravos e indígenas nos médiuns presentes, e esses espíritos eram convidados a se retirar pelo dirigente da mesa que os julgava (como era e continua sendo comum entre os kardecistas) atrasados espiritual, cultural e moralmente. Foi então que baixou pela primeira vez o Caboclo das Sete Encruzilhadas, proferindo um discurso de defesa das entidades que ali estavam presentes, já que estavam sendo discriminadas pela diferença de cor e classe social (Giumbelli 2002).

Os dirigentes da reunião espírita tentaram afastar o próprio Caboclo das Sete Encruzilhadas, quando então este avisou que, se não havia espaço ali para manifestação dos espíritos de negros e índios considerados atrasados, seria fundado por ele mesmo na noite seguinte, na casa de Zélio, um novo culto onde tais entidades poderiam exercer seus trabalhos espirituais e passar suas mensagens. Às 20 horas do dia seguinte, 16 de novembro de 1908, em meio a uma pequena multidão de amigos, parentes, curiosos e kardecistas incrédulos que se aglomeravam na casa de Zélio, baixou novamente o caboclo referido e declarou que se iniciava a partir de então uma nova religião na qual pretos velhos e caboclos poderiam trabalhar. Determinou também que a prática da caridade seria a característica principal do culto; que este teria como base o Evangelho Cristão e como mestre maior Jesus; que o uniforme utilizado pelos médiuns deveria ser branco; que todos os atendimentos seriam gratuitos; e que a religião se chamaria umbanda. Além disso, fundou naquele dia aquela que, nesta narrativa, é descrita como a primeira tenda de umbanda da história, a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade (Giumbelli 2002).

Segundo Giumbelli (2002), dez anos depois da fundação dessa primeira casa, portanto em 1918, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, que seguia trabalhando com o médium Zélio de Moraes, teria determinado a fundação de sete novos templos que seriam os responsáveis pela difusão ampla da nova religião, todos com o prefixo Tenda Espírita: São Pedro; Nossa Senhora da Guia; Nossa Senhora da Conceição; São Jerônimo; São Jorge; Santa Bárbara; e Oxalá. 

Merece ser destacada uma variação nos dados fornecidos por outros pesquisadores em relação ao período de fundação das primeiras tendas: Brown (1985) acredita que a fundação da umbanda por Zélio de Moraes na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, depois seguida pelas demais, tenha ocorrido em meados da década de 1920; já Ortiz (1999) localiza na década de 1930 tais acontecimentos.

Foi realizado um grande evento de comemoração pelos 100 anos de umbanda intitulado 1º Congresso Brasileiro de Umbanda do Século XXI, nos dias 14 a 16 de novembro de 2008 em São Paulo, o que demonstra a importância consensual do relato da anunciação da umbanda em 1908 entre os umbandistas e os estudiosos.
Nesta nova religião, os espíritos de negros, de índios ou de qualquer outra ordem não seriam mais desprezados a priori como no kardecismo, e sim cultuados e valorizados pelas suas mensagens e pelo trabalho espiritual de caridade que empreendiam realizando curas, abertura de caminhos, desobsessão, etc

A umbanda mudou muito nesses cem anos. Ela manteve a essência criada por Zélio de Moraes -como a crença na mediunidade, na reencarnação e na força dos orixás e de entidades espirituais-, mas os rituais e simbologias já não são os mesmos.

REFERÊNCIA
GIUMBELLI, E. 2002 “Zélio de Moraes e as origens da umbanda no Rio de Janeiro”, in SILVA, V. G. (org.) Caminhos da alma: memória afro-brasileira, São Paulo, Summus, pp. 183-217. in 

O QUE É A UMBANDA 1 - Padrinho Juruá
O QUE É A UMBANDA 2 -  Padrinho Juruá
A ORIGEM DA UMBANDA 1 - Padrinho Juruá
A ORIGEM DA UMBANDA 2 - Padrinho Juruá





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